1906–1995 · Kaunas, Estrasburgo, Paris
Emmanuel Levinas — a ética como filosofia primeira
Nascido na Lituânia, formado em fenomenologia com Husserl e Heidegger, Levinas passou a Segunda Guerra como prisioneiro de guerra. Sua família na Lituânia foi assassinada na Shoá. A experiência atravessa toda a sua obra, ainda que raramente de modo direto.
Seu projeto foi deslocar a filosofia: não a ontologia — a pergunta pelo ser, dominante desde os gregos — mas a ética como filosofia primeira. Segundo ele, o pensamento ocidental, ao privilegiar a totalidade e o conhecimento que integra tudo em sistema, preparou terreno para as políticas que aniquilam a alteridade.
No centro está o rosto do outro. O rosto não é objeto que vejo, mas apelo que me interpela; nele se enuncia, sem palavras, um mandamento: não matarás. A responsabilidade pelo outro antecede qualquer escolha minha — não é contrato nem reciprocidade.
Daí a assimetria: minha responsabilidade pelo outro excede a que ele tem por mim, e não posso exigir dele o que exijo de mim. Levar isso ao limite conduz à ideia de substituição — responder até pela responsabilidade alheia.
Levinas manteve separados seus escritos filosóficos e suas leituras talmúdicas, dirigidas a públicos distintos — embora os temas se comuniquem: responsabilidade, alteridade, mandamento.
Críticos apontam que uma responsabilidade infinita pode tornar-se impraticável ou destrutiva. Ele respondia estar descrevendo a estrutura da relação ética, não prescrevendo conduta.